Manifesto

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Na instalação de iluminação pública e de exterior nunca foi dada a devida importância à poluição luminosa e à consequente degradação da qualidade do céu noturno por ela provocada. O resultado disso reflete-se, hoje, na praticamente total ausência de visibilidade dos astros nos céus das cidades e na cada vez pior qualidade do céu em todas as regiões, fruto do aumento dessa iluminação. Porém, na vizinha Galiza, o parlamento galego aprovou em setembro de 2015 a Declaração Institucional em Defesa do Céu Noturno, onde está expressa a vontade dos galegos em limitar os efeitos prejudiciais da poluição luminosa e em proteger tanto a saúde dos cidadãos e dos ecossistemas noturnos como o acesso ao céu estrelado.

A presente declaração reflete não só essa preocupação, como pretende dar resposta às novidades importantes que desde então surgiram. Em particular, é motivo de alarme o rapidíssimo processo de renovação da iluminação pública com recurso a LED, não tendo em conta as enormes diferenças entre os LED mais antigos (de cor branco-azulado, com temperatura correlacionada de cor em torno dos 4000 K) e os mais modernos (de aparência quente e temperatura de cor na ordem dos 1800-2700 K).

A iluminação LED de cor branco-azulado tem uma aparência fria e desagradável e está a ser rejeitada por muitos munícipes de locais em que foi instalada. Além disso, as últimas descobertas científicas apontam potenciais efeitos negativos no equilíbrio dos ecossistemas e mesmo na saúde humana. De facto, a Associação Médica Norte-americana (AMA), a organização sanitária mais importante dos Estados Unidos, publicou em 2016 um extenso relatório intitulado “Efeitos no ser humano e no meio ambiente da iluminação pública com LED”. De acordo com esse relatório:

  • “Estudos recentes com ampla base mostram que a iluminação noturna intensa em áreas residenciais está associada à diminuição do tempo de sono, a insatisfação com a qualidade do mesmo e a interrupções durante a noite, sonolência diurna excessiva, deterioração da atividade diurna e obesidade. Por essa razão, a iluminação LED de cor branca poderá contribuir para o risco de doenças crónicas na proximidade dos lugares onde foi instalada.”
  • “Estima-se que a luz LED branca tem uma influência na fisiologia dos ritmos circadianos pelo menos cinco vezes mais intensa do que a luz de sódio de alta pressão.”

Perante a evidência de que muitos municípios estão a promover, com a melhor das intenções, a renovação da infraestrutura da iluminação pública sem ter em conta os efeitos adversos associados às lâmpadas LED mais antiquadas, solicitamos que, de modo imediato, se incluam nos concursos as recomendações baseadas nas últimas evidências científicas, requerendo lâmpadas de aparência quente com temperatura de cor não superior a 2800 K, com vista a garantir uma iluminação adequada e agradável e que, além disso, proteja o bem-estar dos cidadãos e a saúde do meio ambiente.

Promove e assina o manifesto:

Calidade da Noite, Foro galego-portugués polo fomento do patrimonio cultural e ambiental nocturno

Apoian o manifesto:

Asociación Astronómica Sirio de Pontevedra | Agrupación Astronómica Coruñesa Ío | Astrovigo Asociación Astronómica de Vigo | Colectivo en Transición Calidade do Ceo Nocturno | Asociación Drosera para o estudo e conservación do medio natural | ADEGA Asociación para a Defensa Ecolóxica de Galicia | Divulgacción Asociación Galega de Comunicación de Cultura Científica e Tecnolóxica | Wireless Galicia | Marcos Pérez Maldonado  Director técnico da Casa das Ciencias da Coruña | Salvador X. Bará  Profesor da Área de Óptica, Universidade de Santiago de Compostela| Josefina F. Ling Profesora del área de Astronomía y Astrofísica de la Universidad de Santiago de Compostela | Raul C. Lima Professor Adjunto, Física, Escola Superior de Saúde/Politécnico do Porto e CITEUC | Dosi Veiga Divulgador científico | Julio Aragonés Martínez Físico (Opticoelectrónico) | Beti López Psicóloga | Manuel Bragado Editor | Manuel Vicente Divulgador científico (Efervescencia) | Luis M. Martínez Neurocientífico. Instituto de Neurociencias de Alicante. CSIC-UMH | Xurxo Mariño Neurocientífico e Divulgador | Daniel Rodríguez Amante da natureza | Maite Vence Orbserver. Turismo Científico | Cibrán M. Arxibai Queiruga Profesor no IES Antón Losada Diéguez (A Estrada) | Alberto Pereiras Periodista | Beatriz Cedrón Vilar Funcionaria local | Mercedes Queixas Zas Profesora e escritora | Alejandro Ubeira Técnico de almacén | Juan Carlos Padín Abal Informática Salnes | Dores Sánchez Alegre Técnica de normalización lingüística | Begoña Duro Bibliotecaria escolar | Tiago Alves Costa Escritor | Ricardo Fuentes Amante de la astronomía y la Naturaleza | María J. Díaz Piñeiro Docente | Jorge Castro Ruso Bibliotecario | Alberto Cifuentes Torres Profesor de Ciencias Naturais (IES Auga da Laxe) | Sociedade Galega de Ornitoloxía | Paz Hermo Funcionaria Local en Arquivo e Biblioteca | Luz Lugrís Mestra | María Xosé Bravo Presidenta da Asociación Cultural Alexandre Bóveda | Cies.gal, Cultura e Natureza Atlántica | AELG, Asociación de Escritores en Lingua Galega | Antonio Gómez Lesta Técnico de laboratorio | Mario S. García Profesor | Jesús Pérez Bastos Presidente, Federación Gallega de Astronomía y Radioastronomía | Pedro Peralta Cineasta (Portugal) | Alexandra Cerveira Lima Arqueóloga | Juan Carlos Figueiras Ares Profesor de Ciencias| Pablo Álvarez Feijóo Arquitecto| Ana Vázquez Guía de Naturaleza (Alecrín actividades)| Santi Boado Aguinaga Historiador| Martin Pawley Crítico de cinema | Carlos Platas Seixas Habitante urbano e camiñante | Luis Cachafeiro Chamosa Docente IES, Profesor Asociado USC Didáctica da Matemática | Marta Cortacáns Cidadá | Joana Magalhaes Científica Biomédica e divulgadora científica | Manoel Xosé Pedreira Sánchez Cafetería Forum | António Martinho Baptista Arqueólogo, Director do Parque Arqueológico do Vale do Côa e Museu do Côa | Javier Martin Investigador independiente en las artes del movimiento, coreógrafo | Antón Lois Educador ambiental | Amigos da Terra Colectivo ecoloxista | Teixugo S. Coop Cooperativa de educación ambiental | Sandra Villar Giner Cidadá | Rosa María Fina Investigadora em IHC/FCSH-UNova e CLEPUL | Joana Barros Coordenadora, Associação Viver a Ciência | Ricardo Lima Reformado da Função Pública (Portugal) | Pedro Monteiro Professor, Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico Porto | Artemisa Rocha Dores Escola Superior de Saúde, P. Porto | João Félix Engenheiro Químico reformado | Mário Brochado Coelho Advogado | Sofia Messias Varge Gestäo de projetos, Reitoria da Universidade do Porto | Pedro Oliveira Professor universidade do Porto | José Varge Professor aposentado, Évora | Alejandro Sánchez de Miguel International Dark Sky Association | Paula Pereira Bibliotecária | Pedro Augusto Science Manager, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto | André Fernandes Em nome individual |

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